Por Rudra Das

Como de costume, deixo a música que eu ouço enquanto reflito sobre o lado oculto de cada um. Sinta-se a vontade em entrar no seu aplicativo favorito de músicas e procurar por “Jessie J – Who You Are”.

Olhando para a Lua Cheia que esteve presente no céu ontem à noite eu pensava: Será que assim como a Lua, todos nós temos um lado oculto em que poucos conhecem? Será que a forma como nos apresentamos em casa, para as pessoas mais íntimas é a mesma pessoa que nós apresentamos em um evento social? Você é mesma pessoa em todos os lugares por onde você passa?

Provavelmente a resposta será “não”. Isso chega a ser uma pergunta quase irrelevante se olhada com pouca atenção. Evidentemente nós nos comportamos de forma diferente e apresentamos facetas da nossa personalidade de forma distinta em vários contextos sociais, porém a pergunta que atravessa o coração da indagação filosófica é: Eu sou eu mesmo em todos os momentos da minha vida? Existem momentos em que eu não mostro quem eu realmente sou por questões sociais? Escondo meu verdadeiro Ser com medo de sofrer críticas? Eu sou honesto ao me apresentar para as pessoas?

Assim como a lua muda de fase durante o mês, nós apresentamos uma persona mais descontraída em alguns contextos sociais, em outros, uma persona mais refletiva e em alguns momentos a persona toma um aspecto completamente inesperado ao que a maioria das pessoas estão acostumadas a ver. Isso pode causar estranheza para quem vê de fora, pois é passada a impressão de estarmos em constante mutação ou incoerência. O que a maioria das pessoas não percebem, é que assim como a lua muda de fases e ainda sim é a mesma em sua essência, assim somos nós, interpretando papeis sociais, roupas diferentes, profissões, relacionamentos, entretanto em essência somos o mesmo.

Imagino que você deva estar pensando agora, se você é a mesma pessoa no ambiente de trabalho assim como se apresenta em casa para sua família. Se todos nós interpretamos esses papeis sociais, por que então temos esse medo irracional de apresentar quem nós realmente somos? E se por um dia, todos nós abaixássemos a guarda e mostrássemos como nós realmente somos independente da posição social, função do emprego, figura pública, etc. E se por uma única vez nós permitíssemos que o Outro se manifestasse da forma como ele é e nós faríamos um esforço em abraçar essa pluralidade que vive em todos nós.

Se isso acontecesse, talvez assim não precisaríamos vestir roupas diferentes para impor respeito, não precisaríamos usar títulos acadêmicos para mostrar nossa erudição e muito menos mudar nossa persona para ser aceito pelo Outro.

Seja quem você é com toda sua plenitude, expresse sua essência das mais variadas formas possíveis, sem se preocupar com a lógica, apenas expresse-se! Permita-se ser uma brasileira com descendência japonesa que toca violino e que mora na Holanda fazendo uma graduação em Música Antiga, permita-se ser quem você é mesmo que aparentemente isso não faça sentido, porque no final das contas, quem poderia falar com certeza absoluta e irrefutável qual é o sentido da vida?