Uma década de lealdade, uma eternidade de sentimentos

Como não amar um ser de quatro patas formado por puro amor?

Ana Carolina Branco

 

Quem já teve ou tem a honra de desfrutar da companhia de um cachorro conhece o real significado de amor incondicional. E quando digo “desfrutar da companhia” me refiro a viver, conviver e partilhar uma vida. Para as pessoas que acreditam que cachorros servem como sistema de vigilância da casa, como um enfeite no quintal ou são “presentes” para crianças, infelizmente, essas não conhecem verdadeiramente tudo de bom que essa amizade pode render.

No ano de 2018, completarei uma década de companheirismo com minha fiel Penélope. Sim, já se fazem quase 10 anos que uma bolotinha de pelos chegou em meu lar, dentro de uma caixinha de papelão. E, sem dúvidas, naquele dia se iniciaram os anos mais felizes de minha vida. Apontei algumas razões que demonstram a superioridade do amor de Penélope e qualquer outro cachorro, em relação a nós, meros mortais:

– Penélope sempre foi compreensiva e generosa quando as oscilações financeiras afetavam sua vida. Era tão feliz comendo ração de baixa qualidade e restos de comida, quanto comendo ração premium e dormindo em cama ortopédica;

– Nas fases familiares mais delicadas, lá estava Penélope firme e forte oferecendo seu conforto, sempre sentada ao nosso lado nos escutando com seu ouvido atento;

– Se o relógio já marcava quase madrugada e alguém da família não havia chego, Penélope se recusava a dormir e ficava atenta, à espreita da janela aguardando por um cheiro conhecido se aproximando;

– Tinha remédio pra tomar? Curativo pra fazer? Consulta para ir? Penélope sabia que era necessário e jamais deu trabalho. Aceitava ser cuidada e, com seu olhar, até agradecia;

– Mesmo sendo filha única por alguns anos, Penélope cedeu seu espaço quando novos irmãos começaram a chegar no lar. Ensinou-os a respeitar sua liderança, mas sempre com inteligência e afeto;

– Penélope pode até não falar a nossa língua, mas aprendeu rapidinho o significado das palavras “biscoito”, “passear”, “veterinário”, “bolinha”, “xixi”, “deitar” e muitas outras que eram fundamentais para nossa comunicação;

– Todas as vezes que enfrentou problemas de saúde, Penélope não se abalou, nos ensinando a manter a positividade e confiança mesmo em momentos de desespero;

– Hoje, velhinha e sem a mesma condição física de antes, seu rabinho continua serelepe toda vez que chego em casa, me mostrando que o tempo passa, mas o amor permanece inabalável.

Por essas e outras milhares de razões, se eu pudesse voltar no tempo, teria tomado exatamente a mesma escolha, de receber em meu lar um ser pequeno, complexo, dócil e amável. Mesmo sendo um grande desafio, mesmo que as circunstâncias fossem desfavoráveis, mesmo com erros e acertos durante o trajeto, eu adotaria Penélope, transformando seu destino, mas transformando o meu também.

Se cada ser humano se permitisse o convívio diário com um animal, haveria muito menos sofrimento e infelicidade habitando seu interior. O amor pode morar a uma lambida de você, a um rabinho, a uma patinha. Permita-se adotar um cachorro, permita-se ser feliz como jamais imaginou.