Paixão das antigas

A paixão de homens por carros é um clichê, mas Rosana Fernandes mostra que mesmo em meio a tantos preconceitos, as mulheres também têm uma história de amor com os automóveis

Por: Thamires Lovo

No Brasil e também em outros países da América Latina, a evolução automotora chegou somente após a Segunda Guerra Mundial. Já na década de 30, fábricas estrangeiras, como a Ford e a General Motors, colocaram suas linhas de montagem no país. Porém, foi somente em 1956, durante o governo de Juscelino Kubitschek, que as multinacionais automotivas começaram a montar os automóveis no território brasileiro. Primeiramente, estas fabricaram caminhões, caminhonetes, jipes, furgões e, por fim, se renderam aos carros de passeio.

De lá para cá, muita coisa mudou e os veículos foram, cada vez mais, se adaptando às novas tecnologias e avanços das gerações. Hoje, a quantidade de modelos de automóveis é enorme, desde os mais populares até os mais requintados. Apesar da variedade de modelos e tecnologias, muitas pessoas possuem paixão por carros antigos, como é o caso de Rosana Fernandes.

Rosana conta que sua paixão por carros é antiga, “sempre gostei e sempre tive essa vontade de querer reformar carros antigos, mas como existe tanto preconceito de que mulher não entende de carros e que mulher não mexe com isso, acabei me privando, com medo do que iam falar. Por fim, resolvi deixar essa bobeira de lado, pois existem muitas mulheres que mexem e trabalham nessa área. Definitivamente, não é só coisa de homem”, afirma.

Há cinco anos, Rosana se encantou com um Jeep Willys e resolveu quebrar esse tabu, comprando o veículo para reformá-lo e vendê-lo posteriormente por um valor maior, ideia esta que ela acabou deixando para trás. “Vi que não era do jeito que eu estava pensando, carro antigo não tem valor. Se uma pessoa está vendendo porque precisa de dinheiro, ela vende barato, agora se ela está vendendo por falta de espaço, ou porque quer mesmo, ela pede o valor que achar que vale e quem gosta paga qualquer valor. Após perceber que mesmo não sendo do jeito que eu imaginava, eu ia reformar o Jeep. Foi aí que peguei amor. Para ter esses carros é necessário gostar de verdade, pois são carros realmente exclusivos para passeio, por serem debilitados e não aguentarem o batente do dia a dia”, conta.

Rosana começou a acompanhar todo o processo de restauração. Sempre curiosa, gostava de saber tudo que ia fazer e o que ia trocar, “Eu ficava em cima mesmo, gostava de saber os nomes das peças e porque precisava ser trocada, por conta disso, hoje eu mesma compro as peças, até ponho a mão na massa e me arrisco a mexer em algumas coisas. Eu realmente amo, isso pra mim vale como terapia, pois té necessário ter muita paciência. Não é fácil achar as peças e o processo de restauração é demorado!”, explica.

Hoje, Rosana já tem quatro modelos, dois que estão prontos e dois que estão no processo de restauração. E a coleção não para por aí, já que Rosana pretende ter mais modelos. “O primeiro que tive foi o Jeep Willys (1963), depois uma Caminhonete Chevrolet (1954), que está reformando, depois um Fusca (1972), que também não está pronto e o Ford F100 (1977), que já está pronto e consigo passear com ele”.

Rosana ainda não levou nenhum carro para exposição, mas sua intenção é colocar assim que possível, como nos revela: “Vamos aos encontros de carros, pois lá sempre tem pessoas com peças para vender, então ajuda a encontrar algumas, além das amizades que fazemos. Com o tempo, eu pretendo deixar todos prontos e colocá-los à exposição também!”.

Como Rosana Fernandes nos mostra, hoje existem muitas mulheres que são apaixonadas por carros e por mecânica. Para quem possui amor aos automóveis, não há limitações de gênero ou idade, o importante é estar sempre aprendendo sobre o assunto e se dedicando a restaurar cada veículo e construir uma nova história para eles.

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