ARTE QUE MOTIVA A VIDA!

Por Thamires Lovo

Nunca sentiu a idade que tinha, pois sua alma era jovem e ela encarava sua vida e o seu pensamento no futuro sem medos, por isso não gostava de revelar sua verdadeira idade. Estamos falando de Matilde Hebe Sucupira Silva que, em fevereiro de 2012, decidiu mudar sua vida fazendo e se dedicando as artes.

Hebe nasceu e viveu na cidade de Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo. Morou em alguns períodos nas cidades de São Paulo e em Santos, mas assim que se casou se situou em Pinhal. Foi uma mulher extremamente conhecida na cidade. Conhecida por sua simpatia, por seu carisma com a vida, sua força de vontade e sua linda aparência.

INFÂNCIA E PERSONALIDADE

Hebe sempre se destacou em ser diferente na sua família, ela tinha uma diferença de idade de seu irmão mais velho de trinta anos. “Ela sempre conseguiu se diferenciar com os costumes da Época, mas nunca foi uma pessoa agressiva, foi uma revolucionária elegante”, nos conta Mônica Sucupira, uma das filhas de Hebe.

Em 1949 ela se casou. Antes disso teve algumas ocupações, pois trabalhou na cidade de Pinhal mesmo, em uma papelaria que era da sua família, trabalhou também na biblioteca municipal e na casa da criança. Em 1946 ela perdeu seus pais com diferença entre um e outro, de seis meses, foi quando isso mexeu profundamente com sua estrutura e ela acabou indo pra São Paulo para decidir o que ia fazer da vida. Foi também nessa época onde acabou ficando noiva do Dr. Carolino Sucupira Mendes Silva. A partir de então, ela se radicou na cidade de Pinhal, onde criou seus filhos e fez toda sua vida.

FAMÍLIA

Hebe e Carolino tiveram quatro filhos: Carolino Antônio, jornalista; Carolino Francisco, advogado; Mônica Sucupira, atriz; e Roberta Sucupira, confeiteira. Carolino, além de advogado, foi um homem político na cidade de Pinhal. “O casal tinha uma vida social intensa na sociedade de Pinhal e era um casal de muita referência. Ele por ser um advogado ético, coerente com as questões da justiça e ela por ser uma mulher encantadora, pois onde ela entrava todo mundo à via. Era ousada e livre, se vestia como se sentisse bem, ela gostava de dizer que fazia sua própria moda. Se todos estavam de branco, ela aparecia de azul, não seguia nenhum padrão de moda, por isso era uma pessoa que chamava bastante atenção. Sempre foi vista como uma mulher colorida. Ela não fazia isso de uma maneira agressiva, querendo causar alguma coisa, fazia porque se sentia bem”, nos relata Mônica.

 

Era uma mulher muito presente com sua família, uma mãe presente na vida dos filhos. Mônica ressalta: “Como filha, posso dar um depoimento muito interessante. A Hebe era uma mulher muito elegante, vaidosa, mas que tinha uma exigência muito grande com casa, limpeza… não era uma dondoca, ela trabalhava duro dentro de casa, gostava muito de cozinhar, da casa limpa, tinha uma delicadeza com a casa. Era docemente exigente com os filhos e com as pessoas que convivia.”

ARTISTA NA TERCEIRA IDADE

Entre 2011 à 2015, Mônica começou a relatar os contos no Facebook. A mais ou menos 5 anos atrás, Hebe se interessou pelo computador, mas a idade à limitava, porém ela ficava mexendo em páginas de roupas, notícias… sempre com o auxilio dos filhos, que abriam as páginas para ela e ela ficava mudando de página e vendo o que há interessava. A ideia do Facebook foi dela própria, que em um carnaval, começou a relembrar de histórias e perguntou a seus filhos se não tinha como ela contar isso.

Ela era realmente uma contadora de histórias, pois os seus contos do facebook eram relatados em tempo real por Mônica, enquanto contava Mônica com um computador do lado ia relatando, sem nenhuma formalidade. A primeira lembrança contada por Hebe foi de uma marchinha de carnaval que era uma marchinha política. Ela têm 150 contos relatados. A interação na rede social trouxe a ela um momento de reencontro; “Foi um encontro dela com a sociedade e com gerações diferentes, foi muito importante ela estabelecer um contato. A rede social também tem uma função bem interessante, pois toda a hora a gente tinha que ligar o computador, porque tinha alguém querendo se comunicar com ela, se hoje você colocava uma lembrança, amanhã já tinha 10,20 retornos falando do que tinha lido que tinha gostado. Isso acabou formatando uma rede de lembranças na cidade, pois as pessoas também davam suas opiniões”.

Os filhos começaram nos últimos 10 anos, a resgatar aquilo que ela era e a trazer suas vivencias, então ela começou a fazer aulas. Mônica chamou a fotógrafa e professora de artes nas redes estaduais e municipais, Gisele Morgão para dar aulas a ela. “Ha alguns anos atrás a filha dela entrou em contato comigo para dar aulas a ela. Eu desenvolvi um trabalho com ela relacionado a pintura, cerâmica, desenho, várias “coisinhas”, um pouco de gravura, nossos encontros aconteciam toda terça feira”, conta Gisele.

Tika Tiritilli foi a fotografa que também teve muito contato, pois registrava todos os seus momentos e suas aulas.

SOBRE A CIA HEBE

A morte pegou todos de surpresa, pois na sua ultima semana ela estava muito bem e manteve as suas atividades normalmente. Com isso de sempre amar e envolver as pessoas, sua família resolveu dar continuidade a esse amor, foi criada então a CIA da Hebe .

CIA. da HEBE arte e cultura é um movimento artístico que tem a proposta de colaborar, transformar e investir no cidadão por meio da arte. Realizando, agindo e interferindo pelo individuo e pela coletividade.

A companhia tem como objetivo movimentar o cidadão Pinhalense. “A gente quer trazer com a CIA da Hebe, uma ideia, um conceito da maneira de fazer arte, que melhore a sociedade, que não seja uma atividade cultural, um espaço cultural não. Nós somos um movimento artístico, que quer colaborar com a cidade, trazer aquilo que a Hebe praticava no seu convívio intimo. Um encontro entre as pessoas por meio da arte. Não queremos formar artistas, não queremos formar atores, fotógrafos… se as pessoas quiserem continuar nos vamos dar toda a orientação, mas o que nós queremos é tocar o cidadão Pinhalense por meio das linguagens artísticas. No momento estamos trabalhando com a fotográfica e vamos começar a trabalhar com o desenho e com o teatro também.”

A Primeira Mostra Fotográfica da CIA. da HEBE teve sua abertura no dia 19 de dezembro de 2015, é o resultado dos Encontros Fotográficos realizados no período de 15 de setembro 19 de dezembro de 2015.

A Mostra que permaneceu até 19 de março de 2016 na Galeria da Villa do Poeta, causou surpresa e admiração aos que a visitam e muita alegria aos participantes, organizadores e familiares, pois o resultado foi brilhante.

 

A CIA. tem nas pessoas da atriz Mônica Sucupira, a fotógrafa e performer Tika Tiritilli e a fotógrafa e artista visual Gisele Morgão, são o tripé da organização desse movimento artístico.

Hebe sempre foi bastante vaidosa e com o tempo não perdeu o hábito.

Hebe sempre foi bastante vaidosa e com o tempo não perdeu o hábito.

 

Hebe e sua paixão pela arte.

Hebe e sua paixão pela arte.